sexta-feira, 7 de junho de 2013

Filme: Star Trek - Além da Escuridão (2013)

J.J. Abrams aumenta a escala e a acção em Star Trek: Além da Escuridão, mas é, novamente, na relação entre o elenco e as personagens que o maior trunfo reside. A introdução de Benedict Cumberbatch é uma mais-valia considerável.

Star Trek: Além da Escuridão começa precisamente onde Star Trek nos deixou: explorando novos mundos, novas formas de vida, novas civilizações, audaciosamente indo para onde nenhum homem foi antes. A tripulação da nave USS Entreprise encontra-se numa difícil missão de salvação para preservar a primitiva civilização de um planeta distante. Contrariando Spock (Zachary Quinto), Kirk (Chris Pine) toma uma decisão que põe em causa uma das principais directivas da Frota Estelar. No regresso a casa, Kirk perde o seu estatuto de capitão e o comando da sua preciosa nave. Quando uma explosão ocorre num arquivo em Londres pela acção de John Harrison (Benedict Cumberbatch), apenas Kirk e a sua tripulação poderão salvar a Frota Estelar.

Star Trek: Além da Escuridão continua de forma admirável o inesperado notável trabalho iniciado em 2009 com quase-remake Star Trek. Embora o efeito surpresa se encontre esgotado pela altura que o logótipo da Frota Estelar surge no grande ecrã, Além da Escuridão conquista o necessário para se colocar lado-a-lado com o filme de 2009. O principal apanágio concentra-se novamente na tripulação da Entreprise, na jovialidade e na comicidade dos seus elementos, na natureza familiar que os unifica. Em particular, a relação entre Kirk e Spock continua a ser o cordão umbilical da frescura do jovem elenco. Com riscos maiores e com um inimigo terrível e imperdoável, é nesta relação de amizade e entreajuda que o sentimento do espectador se deposita e que a emoção floresce. Nunca Kirk precisou tanto da contenção de Spock, nem este da impaciência do primeiro. É no meio-termo da sua relação a espaços complicada que a salvação de todos reside. Consciente disso mesmo, J.J. Abrams exponencia o perigo, encontrando em John Harrison um dúbio inimigo capaz de mudar tudo.

E por falar em John Harrison (que reserva uma interessante surpresa sobre a sua origem), o que dizer da sua presença senão que é fisicamente ameaçadora e intelectualmente brilhante. Benedict Cumberbatch consegue com Harrison um importante equilíbrio que torna este vilão tão facilmente relacionável quanto incomportável. Cumberbatch interpreta Harrison notavelmente, transmitindo a ameaça da sua personagem numa elocução deslumbrante e sepulcral, num olhar frio e penetrante e numa disposição física excessivamente rectilínea. Harrison é uma força a ter em conta, uma que melhora substancialmente sobre o vilão Nero de 2009. Se nesse empreendimento Nero era apenas um constituinte negativo, insuficientemente ameaçador, que serviu para unir a tripulação da Enterprise, Harrison é aqui uma colisão vilanesca com capacidade para destruir e desunir tudo.   

J.J. Abrams mantém-se fiel às suas características. Excluindo um momento a meio de Além da Escuridão envolvendo o Almirante da Frota Alexander Marcus, momento de algum desnorte e desinteresse, a sua direcção é raramente descontrolada. A maneira como parece imergir no realismo, com zooms súbitos, e como a sua câmara parece incapaz de conter a claridade futurista, provocando lens flares (menos abusivamente), aumenta a escala do filme e da sua narrativa. Aliado à música pulsante e emotiva de Michael Giacchino, Abrams amplifica a urgência e o mistério da missão da Entreprise, sendo capaz de contrabalançar a acção com momentos de humor incisivo e de emoção impressiva. Todavia, apesar da vivacidade e da curiosidade dos seus cenários futuristas (nomeadamente Londres e São Francisco), Abrams amarra demasiado a narrativa ao Planeta Terra e às áreas circundantes. Tal não levantaria qualquer preocupação se o mesmo não tivesse já acontecido no filme de 2009; repetindo a acção terráquea, Abrams parece abandonar um pouco a essência exploratória, do desconhecido e do distante, da Entreprise e de Star Trek. Felizmente, Além da Escuridão conclui com essa intenção em perspectiva.

Star Trek: Além da Escuridão continua o favorável caminho traçado em 2009 com Star Trek. O futuro é de bom agoiro para as missões da Entreprise enquanto o elenco se mantiver a causa e a consequência da narrativa e a acção e a imensidão futurista se colocarem à sua disposição.  

CLASSIFICAÇÃO: 4 em 5 estrelas


Trailer: 



Sem comentários:

Publicar um comentário